Steps e faixas salariais: qual a diferença e quando usar?
Muitas pessoas da área de Remuneração e RH das empresas ainda têm dúvidas quando pensam em progressões de salários. Uma delas está relacionada aos steps e faixas salariais, os dois tipos mais comuns das tabelas salariais, ferramenta que é imprescindível para uma gestão mais eficiente e transparente.
Nesse conteúdo, vamos explicar melhor o que são os steps e as faixas salariais e quando usar cada um deles no planejamento do seu negócio. Confira!
Steps salariais: o que é
Nesse tipo de tabela há “degraus” pré-estabelecidos pela empresa a serem percorridos pelos colaboradores. Ainda que disparadores de tempo e avaliações de desempenho possam ser métricas de apoio para os avanços, não há regras.
O ponto é trabalhar com valores definidos, pressupondo que todos os colaboradores devam ser enquadrados em salários específicos. Se um profissional recebe uma avaliação positiva e é elegível para um aumento, por exemplo, ele sairá do seu step para receber um salário já estipulado no step seguinte. Ponto positivo: oferecer mais previsibilidade na gestão.
Visualmente, os steps salariais funcionam dessa maneira:

Importante: nesse exemplo o fator tempo está sendo utilizado, mas ele é opcional e apenas ilustrativo.
Faixa salarial: o que é
Já as tabelas salariais por faixas são bem mais flexíveis. Nelas, cada cargo ou posição está descrita com um valor mínimo, um valor médio e um valor máximo a serem aplicados. Então, quando um colaborador é elegível a um aumento, o gestor pode negociar o percentual que será acrescido ao seu salário. Ou seja, o aumento ocorre de forma variável e sem um percentual fixo, somente respeitando os limites estabelecidos.

É melhor usar steps ou faixas salariais?
Como quase tudo que apresentamos no blog da Carreira Muller, é difícil dizer que há uma regra única, que valha para todo mundo. Ao longo de alguns anos, o que identificamos é uma crescente preferência pelas faixas salariais, sem o critério de tempo como gatilho.
Nosso estudo de Políticas e Práticas de Remuneração 2022 aponta que 50,21% das empresas pesquisadas adotam as faixas salariais como prática; 39,53% usam steps e há aquelas que preferem um mix entre as duas. Para esse conteúdo, buscamos mostrar quando usar steps e quando usar faixas salariais.
> Quando usar steps
Uma tabela por steps fixos permite um controle administrativo muito maior com uma previsibilidade de custos gerais destinados à Remuneração (o que dificilmente dá para fazer no modelo por faixas).
Para o público Operacional, em que os salários são muito próximos e as atividades não variam muito cargo a cargo, há mais risco de equiparação salarial. Por isso, pode fazer mais sentido manter esse controle de crescimento por steps.
Importante ressaltar: no quadro de exemplo, apresentamos a possibilidade de alto desempenho. Mas, no caso dos Operadores, essa administração muito longa (com valores em 105%, 110%, 120%) abre brechas para um risco trabalhista.
Para esse público, não há muitas justificativas de desempenho individual, pois muitos processos não exigem habilidades ou condições particulares dos funcionários e, com o tempo, pode ser que você tenha alguns colaboradores no 130%, enquanto outros estão no 100% sem uma diferenciação nas operações dentro do processo. O ideal, na Operação, é limitar essa caminhada em 100%.
> Quando usar faixas salariais
A economia do Brasil é instável, o que exige certa flexibilidade na administração do orçamento das empresas. Mesmo com essa elasticidade, o papel do RH ainda é manter o engajamento e a motivação dos colaboradores. Nesse cenário, as faixas são a melhor opção. É um formato que funciona muito bem para manter a resiliência das políticas de salários.
Em anos com resultados financeiros bons, é possível movimentar mais os salários das pessoas com desempenhos reconhecidos. Em anos mais difíceis, quando não há muito orçamento para reajustes, as faixas ainda permitem que pequenas movimentações sejam feitas, porque não há steps pré-definidos para um próximo passo. Isso oferece também certa autonomia à gestão.
No entanto, é preciso tomar cuidado com o favoritismo. Não dá para oferecer melhores reajustes para quem o gestor mais gosta, ou para quem mais pede aumento. Recomendamos que as avaliações de desempenho sejam aplicadas e que haja processos auditáveis e sérios nesse modelo.
Seja por meio de faixas ou de steps, esses recursos servem para dar dinamismo às carreiras, para impulsionar as pessoas – e é esse movimento que deve alimentar uma boa política de cargos e salários.
Se você tem mais dúvidas sobre o assunto, entre em contato com a Carreira Muller e acompanhe o ConsultAqui, programa que vem para sanar todos os questionamentos em Remuneração!



