Os principais índices de inflação – e suas diferenças! Parte 2 de 4 - Carreira Muller
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Os principais índices de inflação – e suas diferenças! Parte 2 de 4

Depois de fazer um panorama geral sobre as causas da inflação e apontar o que nos motivou a trazer o assunto
à tona nesse momento, hoje venho com uma missão: descomplicar as formas de mensurar os efeitos da inflação na economia. Além de explicar o significado da sopa de letrinhas IPCA, IGP-M e afins, os famosos índices da inflação.

Esses índices são — como o próprio nome sugere —indicadores que servem para medir a variação dos preços e o impacto no custo de vida da população. As pessoas inclusive também se comportam como índices: alguém que dizia comprar um carro popular por R$ 10 mil há 20 anos é um termômetro de que as mercadorias encareceram ao longo do tempo.

Mas os índices oficiais de inflação têm critérios bem definidos, claros e objetivos sobre a maneira de informar o aumento generalizado dos preços. Eles permitem analisar o comportamento do preço de diversos itens e, justamente por fornecer um histórico, registram a evolução que vai respaldar os estudos e a consequente adoção de medidas com relação ao descompasso. Outro ponto importante é que os índices permitem a comparação entre as diferentes regiões do País e em diversos  setores da economia.

O papel do Conselho Monetário Nacional

A inflação, que pode ser resumida como um “inchar” dos preços, está sempre em evidência nos mais diversos veículos de comunicação e tem um importante espaço nas principais discussões de um País. O tema é prioritário em questões políticas e econômicas por atingir diretamente a população: impacta no poder de compra da sociedade.

O Conselho Monetário Nacional (órgão deliberativo máximo do sistema financeiro brasileiro, composto pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e pelo presidente do Banco Central) é o responsável por definir nossa meta de inflação. Ou seja, estipular um limite do quanto a inflação pode variar, definindo para isso uma faixa com limites mínimo e máximo em que o índice oficial de inflação, o IPCA, pode transitar. Então, as autoridades monetárias trabalham para direcionar medidas a fim de atingir o porcentual definido.

O maior mecanismo que o Banco Central dispõe para garantir que a inflação fique dentro da meta definida são as reuniões para definição da Selic, a taxa básica de juros. A intenção em fazer a manutenção da inflação em um País é evitar seu descontrole e, assim, garantir segurança para a economia, os investidores e demais participantes.

Os principais índices oficiais da inflação

Dizem que quanto mais conhecemos um conceito, melhor nos preparamos para lidar com o objeto do nosso estudo. Dessa forma, agora que nos familiarizamos com o termo inflação e algumas de suas propriedades, vamos nos aprofundar em conhecer melhor os índices oficiais.

• IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo)

É o índice produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com objetivo de medir a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pela população. Segundo o IBGE, a cesta é definida pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que verifica o que a população consome e quanto do rendimento familiar é gasto em cada produto — a maioria da cesta é composta por itens de primeira necessidade.

O IPCA engloba uma parcela maior da população. Ele aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários mínimos. Isso mostra que o índice leva em conta não apenas a variação de preço de cada item, mas também o peso que ele tem no orçamento das famílias.

Um ponto interessante é que sua cesta de compras (produtos e serviços que você consome regularmente) pode ser bem diferente da cesta média da população brasileira. Com isso, seu índice pessoal de inflação pode ser maior ou menor que o IPCA, cujo período de coleta se estende do dia 1 ao dia 30 do mês de referência.

• IPCA-15

Difere do IPCA apenas no período de coleta, que abrange, em geral, do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. Funciona como uma prévia do IPCA.

• IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado)

É o índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), formado por três índices diversos que medem os preços por atacado (IPA-M), ao consumidor (IPC-M) e de construção (INCC). O IGP-M é comumente utilizado para contratos de aluguel, seguros de saúde e reajustes de tarifas públicas.

• IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor)

O índice calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) mede a variação de preços no Município de São Paulo. Ele aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda de 1 a 10 salários mínimos.

Cada um dos índices retrata uma realidade diferente e mede a inflação por diferentes óticas. Nesse sentido, eles passam uma impressão particular da realidade, mas não de toda realidade. Cada qual tem por objetivo falar sobre inflação, mas com suas próprias particularidades.

Dessa forma, encerro o artigo com uma reflexão: qual índice mais representa a sua realidade? No próximo artigo da nossa série sobre a inflação falaremos sobre as consequências de uma inflação elevada e as formas de se proteger dela.

 

Até a próxima!

Gabriel Villalba Nunes

Graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas. Ex-
aluno extensionista do Observatório PUC-Campinas na área de “Trabalho, Renda e Emprego”. Fundador da
Liga de Mercado Financeiro PUC-Campinas, pós-graduando em gestão de pessoas na USP.

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