O que considerar para uma carreira internacional em Remuneração

Se você quer atuar com Remuneração em uma empresa internacional ou multinacional — aqui no Brasil ou lá fora —, vale muito a pena continuar a leitura desse artigo e ouvir o 73º podcast do Quinto Dia Útil.

O convidado desta edição já esteve em nossos estúdios e fez acréscimos super importantes para quem quer trilhar uma carreira internacional (você pode relembrar aqui). Vinte meses depois, André Bezerra volta com mais uma bagagem nas costas para dar um feedback sobre suas vivências em Doha, no Catar.

No cargo de Total Rewards & Policy da Qatar Petroleum, ele fez várias descobertas e experimentou na prática algo que já reproduzia:

Não é por menos: tem toda a cultura da empresa para absorver, as novas (ou não) atribuições, o novo local de trabalho, o novo ambiente organizacional. E, quando pensamos em mudança internacional, toda uma questão cultural que vai para MUITO além da cadeira.

Fazer Remuneração no Brasil é diferente de fazer Remuneração nos Estados Unidos, na França, na África do Sul, no Catar… Viver no Brasil é diferente de viver nos Estados Unidos, na França, na África do Sul, no Catar. Pode soar óbvio, mas a realidade realmente pode ser muito distante do imaginado.

E pode não funcionar.

Foi o que aconteceu com André Bezerra. Não funcionou por causa daquilo que mais pesa na expatriação: a adaptação da família. Mas os spoilers dessa vivência — e de como é trabalhar em uma empresa estatal do Catar — param por aqui.

O foco desse artigo é incentivar você que quer construir uma carreira internacional em Remuneração e quer trilhar uma jornada parecida com a do André, que sempre flertou com uma posição internacional.

Do óleo e gás para a tecnologia

Global Remuneration Professional (GRP) & Certified Compensation Professional (CCP), André Bezerra pulou do segmento de óleo e gás para o de tecnologia após 1 ano e 5 meses de trajetória.

Há pouco tempo ele assumiu a cadeira de Senior Global Compensation Program Manager na Red Hat, empresa com sede na Carolina do Norte (EUA) — com possibilidade de atuação 100% remota, André voltou a morar em Houston, no Texas.

A Red Hat tem quase 20 mil funcionários: 8 mil nos Estados Unidos e 12 mil espalhados em mais de 50 países. E a pergunta que fica é uma só: como fazer Remuneração em um cenário como esse?

A palavra de ordem é “imersão”.

Imersão para entender as práticas de remuneração de cada país — Arábia Saudita e Israel, principalmente —, para compreender que na área de tecnologia há dispersão de talento e que não dá para controlar o ponto de um programador que é mais produtivo na madrugada, ouvindo heavy metal no fone de ouvido. Por exemplo.

Imersão para criar uma régua que possa ser ajustável para outros países e situações, para conseguir olhar para o mercado e estar disposto a rever uma parte mais central que é a estrutura dos cargos e dos grades.

Para ter humildade em olhar no espelho e perceber que a empresa pode não ter perna para acompanhar outras — mas, ao mesmo tempo, saber que, com a receita em dólar, é possível pinçar estratégicas em outros países e oferecer um pacote diferenciado.

É uma imersão que André Bezerra sempre quis fazer, e a primeira dica que ele dá para quem quer trilhar uma carreira no exterior. A primeira de cinco.

1. Comece a interagir com os de fora!
Há uma definição de que sorte é quando a oportunidade aparece e você está preparado. O início de tudo é ter vontade de interagir internacionalmente. É olhar organogramas das filiais fora de seu país, é ler os announcements que vêm da matriz, acompanhar quem se mudou, quem está reportando a quem… Olhar atento a tudo o que acontece em sua empresa no mundo!

2. Tente pela empresa que você está!
Para quem está em uma empresa multinacional, o caminho menos arriscado é construir relacionamentos onde você já está. Questione se a empresa já mandou alguém para fora, como funcionam os programas e tente se expor para mostrar seus anseios e se candidatar à posição.
Os trâmites de visto são muito mais tranquilos para transferência de funcionários entre filiais da mesma empresa.

3. Abra sua cabeça!
Entender o óbvio de que o mundo é muito maior que sua realidade não é tão simples quanto parece. Por isso é importante ter a questão do awareness bem desenvolvida, de entender que você irá sair de um lugar onde já está inserido culturalmente.
E que isso traz impactos na maneira como você entra em reunião, como você pergunta, como se senta à mesa de discussões, como responde a um e-mail… É preciso ter boa vontade para entender que o conceito de mundo é realmente maior. “Ter a postura de que você está buscando um aprendizado — mais que rumando para uma conquista — é fundamental para uma trajetória bem-sucedida”, diz André.

4. Certifique-se!
Há ferramentas que são exigidas no exterior e que realmente abrem portas. É o caso das certificações internacionais como a CCP (Certified Compensation Professional) e a GRP (Global Remuneration Professional) — ambas da WorldAtWork, oferecidas pela Forhma no Brasil. Elas garantem uma visão internacional com um nível de detalhamento e de transparência sem igual, o que enriquece a compreensão da Remuneração ao patamar, inclusive, dos investidores.

5. Prepare seu ouvido!
É fato: você precisa ter uma segunda língua para morar fora do País — e inglês é fundamental. Mas você não precisa ser um expert para começar a encarar desafios. Hoje o conhecimento é mais palpável: há webinars o tempo todo com inscrições gratuitas.

Então a última dica é para treinar bem o ouvido e explorar as oportunidades que tiver para falar. Ainda que cada um tenha seu timing no que concerne à timidez, é preciso dar esse passo e fazer o exercício.

A maioria dos brasileiros já tem um diferencial: a versatilidade em saber transitar por diversas áreas. É algo que brilha no escuro lá fora. Para o resto, é treino, perseverança e correr atrás!

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Carreira Muller

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