Você sente que a sua empresa está perdendo bons profissionais com frequência? Ou que está cada vez mais difícil contratar talentos com as faixas salariais atuais? Esses podem ser os primeiros sinais de que a sua tabela salarial está desatualizada – e essa defasagem pode estar custando mais do que parece.
Mas como saber, de fato, se a tabela da sua empresa perdeu o compasso do mercado?
Para responder essa e outras perguntas, conversamos com Felipe Cruz, Gerente de Remuneração da Carreira Muller. A seguir, reunimos os principais sinais de alerta e o que você pode fazer para corrigir o problema antes que ele afete ainda mais a estratégia do seu negócio.
Quais são os sinais de que a tabela salarial está defasada?
Às vezes, os primeiros alertas vêm de onde menos se espera: de dentro da própria empresa. Segundo Felipe, ouvir os times de Recrutamento e Seleção e os colaboradores é essencial para captar indícios importantes.
“Quando a organização começa a perder muitos talentos para o mercado ou tem dificuldade para contratar, mesmo ajustando as faixas salariais, isso pode indicar que a tabela não está competitiva”, explica.
É verdade que nem todo problema de atração ou retenção está ligado ao salário, mas ignorar o tema pode sair caro. Achismos não resolvem. É preciso embasar decisões com dados. E aqui vale reforçar que atualizar a tabela não significa apenas aplicar os reajustes de convenção coletiva. Isso pode manter a tabela “em dia”, mas não garante competitividade — e muito menos aderência à estratégia da empresa.
Atualizar a tabela significa entender:
- Se os salários praticados estão de fato alinhados com a média de mercado;
- Se as faixas salariais fazem sentido para a realidade e ambições do negócio;
- Se os cargos estão posicionados corretamente em relação à estratégia.
Como saber se você está pagando acima ou abaixo do mercado?
Embora o feedback interno seja importante, ele não pode ser o único termômetro. Isso porque reclamações isoladas podem gerar viés, e a consequência é uma política reativa e desestruturada. “Se escutarmos apenas reclamações internas, corremos o risco de aumentar salários indiscriminadamente e elevar a tabela de forma insustentável”, afirma.
Por isso, dados concretos são essenciais — e é aí que entram ferramentas como o SalaryMark®, que oferecem análises aprofundadas sobre o posicionamento real dos colaboradores em relação ao midpoint.
> No #129 episódio do ConsultAqui, Felipe Cruz mostra como isso funciona na prática. Assista aqui!
Imagine que os executivos da empresa estejam 18% acima da estratégia definida. Isso pode ser um sinal de que ou os salários estão fora do previsto, ou a tabela está desatualizada. O importante é entender se o que foi definido condiz com a realidade.
Felipe também ressalta a importância de fatiar a análise por área, identificando possíveis distorções específicas. “Se o comercial está com salários defasados e justamente nessa área há perda de pessoas, talvez a tabela geral esteja funcionando, mas não para esse público. Nesse caso, pode ser necessário desenvolver uma estratégia específica para a área.”
Minha tabela salarial está defasada. Por onde começar?
O primeiro passo é voltar à base: retomar a estratégia do negócio. A tabela salarial precisa refletir o que a empresa busca.
Se a empresa aposta em formar talentos, pode ser aceitável estar ligeiramente abaixo do mercado. Por outro lado, se o foco é atrair profissionais experientes e prontos, a remuneração precisa ser compatível com essa proposta.
O segundo passo é entender quais desvios são justificáveis – e quais não são.
“Se uma área estratégica, como Qualidade, tem salários acima da média e isso está diretamente ligado aos resultados do negócio, é justificável. O problema está nas discrepâncias sem motivo claro — essas geram custos desnecessários”, alerta Felipe.
Dentro da plataforma SalaryMark®, por exemplo, é possível identificar os chamados outliers – colaboradores que estão muito abaixo do mínimo da política salarial ou acima de 120% do midpoint. Se muitos colaboradores estão fora da política, algo está errado: ou a tabela não está sendo aplicada corretamente ou ela já não reflete mais a realidade da empresa.
O ideal é que a maioria dos profissionais esteja dentro da faixa prevista: entre o mínimo, o máximo e o valor ideal da política salarial. Fora disso, é sinal de alerta. “Sem uma referência de mercado, a empresa fica vulnerável à pressão interna e perde argumentos na hora de justificar sua estratégia”, conclui Felipe.
Resumindo: o que fazer agora?
Se sua empresa já identificou sinais de uma tabela salarial defasada, não espere o problema crescer. O caminho é agir com base em dados, alinhamento estratégico e foco em soluções.
- Escute as áreas de RH e líderes sobre dificuldades de atração e retenção;
- Compare sua tabela com dados atualizados de mercado;
- Avalie o posicionamento dos cargos em relação ao midpoint;
- Analise a distribuição por área e por nível;
- Ajuste ou reconstrua a tabela, sempre alinhando com os objetivos da organização.
Uma tabela salarial defasada pode comprometer a competitividade, o clima interno e os resultados. Mas com análise técnica e visão de futuro, é possível transformar essa dor em uma oportunidade de fortalecimento.
Se quiser apoio para revisar ou construir uma tabela estratégica e alinhada com as práticas de mercado, conte com a ajuda de especialistas e soluções que trazem segurança nas decisões. Fale conosco!





