O mundo da remuneração é cheio de detalhes e termos técnicos – e por aqui nós já falamos de muita coisa. Mas sempre voltamos a algumas dúvidas que são essenciais para qualquer empresa. Neste conteúdo, convidamos Maisa Pena, Coordenadora de Remuneração da Carreira Muller, para responder às 3 perguntas mais comuns sobre estrutura de cargos e remuneração — de um jeito direto, prático e #semremunerês.
Spoiler: todas elas têm impacto direto na prevenção de passivos trabalhistas.
Vamos a elas?
3 perguntas essenciais em estrutura de cargos x remuneração
1) Modelos de trabalho diferentes afetam a remuneração?
Uma das dúvidas mais comuns entre gestores e equipes de RH é se o regime de trabalho – presencial, remoto ou híbrido – influencia o pacote de remuneração. Segundo Maisa, a resposta, na maioria dos casos, é não. “Não costumamos ver tabelas salariais separadas, uma para trabalho presencial e outra para trabalho remoto. O mais frequente é que as empresas mantenham uma única estrutura salarial.”
No entanto, condições específicas do local de trabalho podem, sim, refletir nas remunerações.
Imagine que a matriz da empresa está em São Paulo, mas há uma hidrelétrica sendo construída no Pará. Nesse caso, os colaboradores que trabalham localmente nessa obra podem ter uma remuneração ajustada às condições e necessidades daquela região. Já no home office, a lógica é diferente: o colaborador pode estar em Manaus, por exemplo, mas registrado no CNPJ da matriz em São Paulo. Nesse caso, a referência salarial é a da matriz — não da cidade onde o funcionário mora.
Esse modelo é bastante comum em empresas de tecnologia, que se baseiam no mercado do segmento e porte, e não na localização de cada colaborador.
2) Tenho cargos iguais com salários diferentes: como lidar?
Aqui está um dos pontos de maior risco jurídico.
“Não é legal que existam posições diferentes com a mesma nomenclatura sem justificativas claras. Isso pode gerar passivos trabalhistas, especialmente com a Lei da Igualdade Salarial baseada no artigo 461 da CLT”, alerta Maisa. Para evitar problemas, ela recomenda algumas práticas:
- Usar nomenclaturas genéricas, como “Analista” ou “Gerente”, sem especificar diretamente a área de atuação, mas sempre apoiadas por um plano de cargos bem estruturado.
- Formalizar as diferenças de funções, usando descrições de cargo, avaliação de desempenho e critérios objetivos (tempo de serviço, formação acadêmica etc.). Por exemplo, se houver dois analistas de recursos humanos desempenhando funções completamente diferentes, é essencial que essa diferença esteja documentada.
- Registrar avaliações formais que comprovem produtividade e expertise.
Além disso, fatores como perfeição técnica e produtividade também podem diferenciar o cargo. O importante é que esteja tudo formalizado e faça sentido para os funcionários, garantindo transparência e segurança jurídica.
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3) Por que não posso criar cargos para pessoas?
Uma prática que parece inofensiva, mas pode virar armadilha, é criar cargos sob medida para atender a um colaborador específico. Isso porque, quando você cria um cargo para uma pessoa e não para atender a necessidade de uma área, acaba comprometendo a sustentabilidade do negócio.
Pode gerar problemas como:
- Perda da lógica organizacional na hierarquia.
- Dificuldade de análise de mercado (como classificar um cargo que só existe naquela empresa?).
- Questionamentos internos sobre privilégios e diferenciação salarial.
“As pessoas podem começar a perguntar: ‘por que esse funcionário tem um cargo específico? Por que ele ganha mais? Quais atividades justificam isso?’ Essas dúvidas geram um paradigma jurídico complicado e podem levar a passivos trabalhistas”, diz Maisa.
Então a recomendação é: estruturar cargos com base nas necessidades da empresa, não em demandas individuais.
O foco deve ser sempre a sustentabilidade do negócio. Toda estratégia de remuneração precisa estar alinhada com a posição e os processos da organização.
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E você, que pergunta faria?
Essas foram as 3 perguntas essenciais sobre estrutura de cargos e remuneração que toda empresa precisa considerar. Mas sabemos que cada organização tem suas particularidades.
E você, pensou em outra dúvida sobre o tema? Deixe nos comentários – queremos saber sua opinião e continuar essa conversa!
Para aprofundar no tema, esse bate-papo faz parte do 136º episódio do ConsultAqui. Assista na íntegra e, se precisar de apoio para estruturar cargos e remuneração na sua empresa, clique aqui e fale conosco!



