Sabe aquele projeto de cargos e salários que a empresa criou com todo cuidado… mas que foi ficando no fundo da gaveta? Pois é. Tabelas salariais congeladas são mais comuns do que a gente imagina — e o impacto disso pode ser bem maior do que parece à primeira vista.
Se a sua organização tem uma tabela que não é atualizada há anos, ela provavelmente já não representa mais o mercado nem os colaboradores. E quando isso acontece, surgem consequências como falta de engajamento, perda de talentos, sensação de injustiça e dificuldade para contratar.
Conversamos com Felipe Cruz, Gerente de Remuneração da Carreira Muller, sobre o que fazer quando a sua tabela está congelada há tanto tempo, os riscos de continuar assim e por que quanto mais tempo passa, mais difícil (e caro) fica corrigir. Confira neste conteúdo!
Mas afinal, o que é uma tabela salarial congelada?
De forma simples, é uma tabela que ficou parada no tempo. Seja por decisão estratégica (como no caso de salários acima da média do mercado) ou por limitações financeiras, a empresa deixa de fazer atualizações periódicas nas faixas salariais — e o tempo vai passando.
O problema é que o mercado se movimenta o tempo todo. Então, manter uma tabela salarial congelada é como usar um GPS desatualizado. “A cidade mudou, o trânsito mudou, mas você ainda está seguindo rotas que já não existem. E corre o risco de entrar na contramão”, explica Felipe.
Quais os riscos de manter a tabela salarial parada?
Quanto mais tempo a tabela fica sem atualização, mais desconectada ela se torna. Os principais riscos são:
- Desconexão com o mercado, o que dificulta contratações e gera perda de talentos;
- Frustração dos colaboradores, que sentem que não são valorizados ou reconhecidos;
Desvalorização da estratégia de RH, transformando projetos robustos em verdadeiros “arquivos de gaveta”.
Além disso, quando a defasagem é grande, atualizar deixa de ser um simples ajuste e vira um projeto novo, com impacto financeiro relevante e necessidade de reestruturação completa.
Então como corrigir uma tabela salarial congelada?
Se a tabela está há anos sem revisão, não basta apenas atualizar números. É preciso encarar o desafio como uma mudança estrutural que envolve a revisão dos cargos.
“E revisar não significa aumentar salários indiscriminadamente, mas sim analisar as faixas, ver se ainda fazem sentido, entender a movimentação dos cargos e identificar áreas com maior pressão de mercado. Quanto mais tempo a empresa estiver distante do mercado, mais caro e complexo será atualizar”, diz Felipe.
Feito isso, a tabela salarial não deve ser tratada como um projeto pontual, entregue uma vez e deixada de lado. Ela também não é como uma arquitetura ou design, que exige atualizações mais espaçadas. A chave está na constância.
A recomendação é revisar a tabela ao menos uma vez por ano, ou no máximo a cada dois anos. Quanto mais regular for essa revisão, menor o impacto e maior a chance de manter a estratégia viva, aderente ao momento da empresa e ao mercado.
E a comunicação com o time?
Esse é um ponto sensível. Muitas empresas evitam falar abertamente sobre faixas salariais com receio de criar expectativas de aumento. Mas o mundo está caminhando na direção oposta: mais transparência.
“Se a empresa atualizou sua tabela e ela está competitiva, comunicar isso pode ser um movimento positivo, mostrando clareza, alinhamento e respeito com os profissionais”, diz Felipe.
O segredo está em mostrar que as faixas existem para guiar a evolução dentro dos cargos, considerando entregas, tempo de experiência e critérios claros. Isso ajuda a criar confiança, em vez de frustração.
Se a sua empresa está com a tabela salarial parada há muito tempo, talvez seja hora de revisitar essa estrutura. E a boa notícia é: dá pra fazer isso com planejamento e sem traumas. Quer ajuda para começar? A Carreira Muller pode te apoiar nesse processo. Fale conosco!
E se quiser saber mais sobre o assunto, assista ao 123º episódio do ConsultAqui!





