Por que devo ter um plano de cargos e salários se já faço pesquisas salariais?

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O tema de hoje do “Dúvidas Frequentes” confunde a cabeça de muitos profissionais de remuneração. Afinal, para que a empresa se mantenha alinhada ao mercado, ela deve optar por uma tabela formal de cargos e salários ou apenas por uma pesquisa salarial?

Para nos ajudar a esclarecer esse tema, convidamos Maisa Diniz Pena Pirota, Consultora de Remuneração aqui da Carreira Muller, que vai explicar a diferença entre os dois itens e como definir o que é melhor para a sua empresa.

Plano de Cargos e Salários ou Pesquisa Salarial?

A primeira coisa que precisamos entender é que tanto uma quanto a outra não são excludentes, ou seja, ambas são importantes e trazem mais resultados quando utilizadas de forma complementar.

A tabela salarial é uma ferramenta essencial para que a empresa possa valorizar seus cargos em função de sua classificação estratégica. A informação de mercado obtida através da pesquisa é parte importantíssima na construção e atualização da tabela, mas é um indicador que deve ser utilizado em conjunto com critérios alinhados ao negócio e à estratégia de remuneração da empresa, não de forma isolada.

Uma analogia pode ajudar você a entender: se muitas pessoas estão cortando o cabelo como o do Neymar, talvez eu não queira fazer o mesmo. Tenho uma “posição estratégica formada” para não querer, tenho fundamentação para não fazer a mesma escolha. Assim também é o mundo da remuneração. Vamos imaginar que a maioria opta por pagar na mediana, eu posso escolher outros caminhos: traçar um plano de cargos e salários para pagar 25% abaixo dela, agregando um variável mais agressivo (consequentemente, posso reduzir na carga tributária), trabalhar a minha marca empregadora para agregar ao status do profissional que escolhe minha empresa, entre tantas outras opções.

O importante é entender que um plano serve exatamente para se questionar o que todo mundo anda fazendo – e o que todo mundo anda fazendo pode não ser a melhor saída. Nesse caso o melhor caminho é deixar a pesquisa apontar o que todos fazem e a estratégia de cargos e salários ponderar o que será melhor para sua empresa.

O que acontece se fizer apenas a pesquisa de mercado?

“Todo mundo é todo mundo, você é você”. Provavelmente sua mãe ou pai tenha dito a frase acima na época em que você pedia para faltar à escola, sabendo que todos os seus amigos não iriam por conta da emenda de feriado. A questão aqui é que só saber o que todos fazem e seguir o bando pode ser perigoso.

Seguindo a mesma lógica da pergunta anterior, se uma companhia se basear apenas na média salarial de sua região, por exemplo, diferenciais como experiência e especialização exigidas por um determinado cargo em seu negócio correm o risco de serem ignorados, como também o grau de complexidade para a sua reposição em casos de desligamento. Isso pode tornar a empresa vulnerável em posições-chave para seu bom desempenho.

Qual o risco de optar unicamente pela tabela salarial?

É importante dedicar atenção especial durante a construção de uma tabela de cargos e salários, que só será um instrumento estratégico na gestão se for regularmente revisada. É neste momento que a pesquisa de mercado se torna a maior referência do processo e deverá basear os recálculos e acertos que se mostrarem necessários para garantir eficiência na gestão das pessoas e na eficiência financeira da organização.

Uma tabela desconectada do mercado pode inviabilizar os negócios de uma organização. É como um câncer, se pudéssemos associar com um corpo humano. E desconectar uma tabela do mercado é bem mais simples do que parece. Basta, por exemplo, aplicar anualmente os reajustes do acordo coletivo diretamente nela; em dois anos sua tabela irá para um patamar que não tem relação nenhuma com o mercado. Só que dessa vez você não estaria se diferenciando do mercado por conta de uma posição estratégica, mas simplesmente por um erro que é grave e causa sérios danos à organização – você não sabe que está errando e que a empresa está perdendo dinheiro –; a inflação ou deflação salarial não seguem necessariamente os mesmos índices dos acordos coletivos anuais. Para saber mais sobre essa questão assista ao vídeo em que detalhamos essa explicação).

Assim, é importante que tabelas e pesquisas andem juntas. Uma é indispensável à outra.

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