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No futuro do trabalho, o design e o RH podem trabalhar juntos!

Temos falado muito sobre o futuro do trabalho e como estar preparado para a nova realidade que já está batendo à nossa porta. Afinal, devemos nos preocupar se teremos nossos postos de trabalho daqui a alguns anos? Seremos realmente substituídos por robôs?

Assim como alguns colegas de trabalho e convidados de nosso podcast semanal Quinto Dia Útil (se você ainda não conhece, vale a pena conferir aqui), eu compartilho da opinião de que algumas posições de trabalho se tornarão menos relevantes ou até mesmo obsoletas ao longo do tempo, porém, novas funções serão criadas para atender novas necessidades. Este processo, que já aconteceu muitas vezes ao longo da história, é natural e reflete o desenvolvimento humano e tecnológico.

Porém existe outra perspectiva deste cenário que deve ser explorada. Você já parou para pensar que, com a automatização de processos, ao invés de perder nossos postos de trabalho, ficaremos na verdade com a parte mais interessante e cheia de valor? E que este pode ser um estímulo para nosso crescimento e desenvolvimento profissional, visto que precisaremos explorar outras competências?

Como o RH pode contribuir?

Como profissionais de Recursos Humanos, buscamos assegurar um ambiente de trabalho saudável, que motive e mantenha os colaboradores engajados. Em momentos de grande incerteza, como o que estamos passando, é importante não apenas estar preparados para as mudanças que ocorrerão com nossas posições individuais, mas também com a nova realidade de nossos colaboradores. Conseguimos, de alguma forma, contribuir para que esse processo se torne um propulsor de oportunidades e desenvolvimento?

Em 2016, os professores Bill Burnett e Dave Evans lançaram um livro chamado “Designing your life” onde defendem a ideia de que é possível aplicar conceitos de Design Thinking para ajudar as pessoas a planejar suas trajetórias e tomar decisões mais acertadas durante este processo. O livro traz ferramentas para que o leitor organize suas ideias e desenvolva o autoconhecimento, passos essenciais para quem está em busca de crescimento pessoal ou profissional.

A metodologia Design Thinking prevê 5 etapas para solução de problemas, todas exploradas no livro: Empatia, Definição do Problema, Idealização, Protótipo e Teste. Este artigo busca apresentar 2 destas etapas, fazendo paralelos com a realidade empresarial num cenário de insegurança com o futuro e necessidade de adaptação.

Ideação

Em Design Thinking, a etapa de ideação busca encontrar soluções criativas para uma questão central através do processo de brainstorming, onde se colocam na mesa todas as ideias possíveis, mesmo que possam parecer inicialmente ousadas demais.

No contexto do livro, onde o problema apresentado é “o que fazer da minha vida”, os autores desafiam o leitor a desenhar 3 cenários de planos profissionais para os próximos 5 anos, contemplando:

– Uma versão melhorada da realidade atual (que normalmente não parece ser a ideal)

– Uma versão onde o trabalho atual do leitor não exista mais (seja por uma queda de demanda por aquele produto/serviço, ou eventualmente pela chegada dos robôs)

– Uma versão onde o leitor poderia fazer qualquer coisa que sonhasse, sem se preocupar com a opinião dos outros ou com limitações financeiras.

De acordo com os autores, ao passar por este processo, o leitor não só identifica as habilidades comuns nos 3 cenários, como visualiza opções para se desenvolver no contexto atual e ainda fica mais preparado para uma possível mudança de realidade. Levando em consideração o contexto que estamos vivendo, este parece ser um exercício benéfico para todos.

Por que não incentivar os colaboradores de sua empresa a exercitar algo semelhante?

Este podcast, da série #futurodotrabalho, vai te dar algumas ideias de quais serão as competências do futuro.

Prototipação

Este step da metodologia consiste em desenvolver uma ou algumas das ideias encontradas no passo anterior e apresentá-las a outras pessoas – em forma de “rascunho”. O objetivo é testar a aplicabilidade do projeto antes de implementá-lo de fato.

No contexto do livro, os autores sugerem que os leitores identifiquem as ideias que mais fizeram sentido na etapa de brainstorming e dividam isso com pessoas que tenham tido experiências semelhantes ou que atuem no mesmo segmento.

Para exemplificar, os autores contam a história da Elise que sempre sonhou em abrir uma cafeteria. Por não estar contente em seu trabalho atual ela decidiu seguir adiante com seu sonho sem conversar com profissionais da área. O negócio foi, na realidade, um sucesso, porém, ela não ficou tão realizada como previa. Ela percebeu que muitas das atividades administrativas que precisava executar como empresária, não a interessavam ou estimulavam.

Trazendo para o contexto empresarial, existem por aí muitos profissionais na mesma situação que a Elise, que sonham em trabalhar em outras áreas ou até outros segmentos. A atitude deve partir deles, porém, como profissionais de Recursos Humanos podemos buscar facilitar o contato entre áreas, entre pessoas e prever a possibilidade de colaboradores “testarem suas ideias” dentro da empresa.

Neste processo, as pessoas se conhecerão melhor e terão mais informações para embasar futuras decisões profissionais. Caso a estrutura da empresa não permita tal intercambio entre áreas, projetos de mentoria, por exemplo, seguem o mesmo conceito e podem trazer excelentes resultados.

Empresas de projetos e tecnologia que possuem estrutura de squads representam muito bem esta experimentação proposta pelos autores. O intercâmbio entre times e projetos acontece naturalmente e permite que o profissional vivencie diferentes posições, ambientes e esteja sempre envolvido com diferentes soluções de problemas. Esta estrutura pode não ser aplicável em sua empresa neste momento, mas o conceito central pode servir como inspiração.

Quanto mais estudamos o assunto, mais percebemos quão importante é o autoconhecimento.

Veja, neste podcast, como é importante nunca parar de aprender.

São muitos os exemplos de profissionais bem-sucedidos e realizados que investiram em se conhecer e respeitaram tais características em suas tomadas de decisão. Um colaborador que conhece seus interesses, suas habilidades e tem a oportunidade de aplica-las em seu dia a dia, não estará apenas mais motivado, como poderá contribuir muito mais.

Além disso, ter ciência de nossas competências nos permite ajustar mais facilmente, afinal, não estamos conectados a processos, mas sim as competências necessárias para executar aquele processo. Quantas outras atividades não demandam estas mesmas competências?

O profissional que terá mais facilidade de lidar com as incertezas e mudanças cada vez mais frequentes, será aquele que tiver maior conhecimento sobre suas habilidades e conseguir visualizar como pode aplicá-las em diferentes contextos.

Apesar deste ser um processo individual, é importante passar esta mensagem adiante e buscar formas de facilitá-lo aos nossos colaboradores. É neste aspecto que o RH tem um campo vasto de atuação!

Você quer saber o que mais pode aprender com os designers? Esse bate-papo, com a Service Designer da Totvs, Gabriela Cagliero, vai inspirar você!

Débora Morilha
Consultora de Remuneração

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