Quando pensamos em startups, logo imaginamos: cultura ágil, ambiente descolado, muita inovação… e pouco dinheiro, especialmente nos primeiros anos. Mas será que isso significa salários pouco competitivos e pacotes sem graça? Muito pelo contrário — e neste artigo você vai entender por quê.
Vamos mostrar como as startups conseguem conquistar e reter talentos mesmo com recursos limitados – um desafio que também aparece em muitas equipes de RH e Remuneração de empresas tradicionais.
Para explicar como tudo isso funciona na prática, conversamos com Maisa Pena, Coordenadora de Remuneração da Carreira Muller. Ela compartilhou informações e dicas sobre:
- A dinâmica da remuneração fixa e variável nesse modelo de negócio;
- Os programas de ILP (Incentivo de Longo Prazo) mais usados;
- Como definir metas e indicadores com pouca estrutura;
- E quais incentivos não financeiros ajudam a engajar os times.
Como é a dinâmica da Remuneração em startups brasileiras?
Antes, startup era sinônimo de baixo salário e baixa competitividade, pelo menos na remuneração fixa. Mas, segundo Maisa, isso vem evoluindo rápido e de forma significativa. O principal motivo é justamente a disputa por talentos.
Mesmo que ainda não paguem os melhores salários do mercado, boa parte das startups hoje já consegue se posicionar na mediana, oferecendo bônus competitivos e, principalmente, um pacote de valor total mais atraente para os colaboradores. Mas, afinal, o que muda em relação às empresas tradicionais?
Em vez de depender apenas do salário fixo, startups se apoiam em variáveis e incentivos criativos para complementar a remuneração. O grande diferencial, no entanto, está nos programas de longo prazo, como as famosas stock options, e na proposta de valor ao empregado (PVE).
“Startups costumam oferecer ambientes inovadores, crescimento rápido, autonomia e uma cultura colaborativa muito forte. Não é só sobre o quanto se paga, mas sobre o que se constrói junto. Isso faz com que o colaborador se engaje mais e tenha mais visibilidade”, explica Maisa.
Para que tudo isso funcione – e para que as pessoas saibam exatamente como contribuir para o crescimento – as startups também precisam estabelecer metas e indicadores claros, mesmo sem toda a estrutura ou histórico de dados das grandes empresas.
É aí que entra outro desafio…
Como definir metas e indicadores com pouca estrutura?
“Em startups, o ambiente é de alto risco e ainda há pouco histórico para previsões. Por isso, as metas precisam ser simples, muito claras e alinhadas ao momento da empresa”, orienta Maisa.
O segredo está em metas realistas e alcançáveis, que consigam motivar a equipe sem depender de análises robustas ou dados difíceis de obter. Além de objetivos bem definidos, outro recurso poderoso para engajar talentos em startups são as stock options.
Como as stock options entram no jogo?
As stock options são o carro-chefe entre os incentivos de longo prazo (ILPs). Elas dão ao colaborador o direito (mas não a obrigação) de comprar ações da empresa no futuro, por um preço bem abaixo do valor de mercado. Basicamente, o funcionário ajuda a empresa a crescer e, se ela der certo, ele participa dos ganhos no futuro.
Esse modelo é especialmente útil para atrair talentos estratégicos quando ainda não há caixa suficiente para oferecer um salário competitivo ou bônus robusto. “Se não consigo garantir bônus de curto prazo, uso o ILP para ‘amarrar’ esse talento com a possibilidade de ganhos futuros. Isso reforça o senso de dono, que é essencial em equipes pequenas”, destaca.
Mas nem tudo gira em torno de dinheiro.
Quais incentivos não financeiros também funcionam para startups?
Startups também apostam em incentivos não financeiros, como um ambiente de trabalho mais próximo, horizontal e flexível. Além disso, há espaço para ações personalizadas, como:
- Programas de reconhecimento, como “funcionário do mês”;
- Home office e horários flexíveis;
- Conversas diretas para entender as necessidades dos colaboradores.
Em startups, é possível lidar com as demandas dos times de forma muito mais próxima e humana. Por serem mais enxutas, permitem maior contato com os fundadores, decisões mais rápidas, autonomia e flexibilidade. Essa proximidade fortalece o trabalho em equipe.
Quer se aprofundar ainda mais no tema? Assista ao episódio #128 do ConsultAqui e veja mais dicas práticas para montar pacotes inteligentes com orçamento limitado. E se precisar de ajuda, é só falar com a gente por aqui!



