No universo corporativo, o benchmarking virou quase automático: sempre que precisamos tomar uma decisão, olhamos para o lado e tentamos entender “o que os outros estão fazendo”. Mas fica a pergunta: até onde isso é aprendizado e quando vira apenas reprodução?
Para responder a essa pergunta, conversamos com Maisa Pena, Coordenadora de Remuneração da Carreira Muller, que explica o que é (e o que não é) benchmarking, como usar os dados de mercado de forma inteligente e quais são as armadilhas mais comuns. Antes, vamos à uma explicação conceitual.
Benchmark x Benchmarking: qual é a diferença?
Muita gente usa os termos como sinônimos, mas eles são diferentes:
- Benchmark é o dado final — o número, a referência.
- Benchmarking é o processo que levou até ele — a pesquisa, a comparação.
Enquanto o benchmark é o resultado, o benchmarking é o caminho. “Quando observamos a mediana salarial de um cargo específico, por exemplo, isso é benchmark. Mas esse dado só existe porque alguém realizou um processo de benchmarking para chegar até ele”, exemplifica Maisa.
O problema nasce quando esse benchmark vira uma espécie de lei universal. Ou seja, se você pega o benchmark e adota como verdade absoluta, correndo o risco de criar algo totalmente disfuncional.
E por que copiamos tanto? A armadilha da falsa segurança
Existe até um componente emocional nisso.
“Quando copiamos o que a maioria faz, sentimos segurança. É como se, ao imitar o mercado, estivéssemos protegidos. Mas, como ouvimos desde criança, temos que nos lembrar que ‘você não é todo mundo!’”, brinca Maisa.
O risco está em criar políticas desalinhadas com a realidade da empresa.
Comparar organizações com margens de lucro diferentes, regimes de turno opostos ou realidades regionais contrastantes pode distorcer totalmente o que deveria ser uma boa prática. O segredo está em fazer um benchmarking bem feito.
O que é um benchmarking bem feito?
A base de um benchmarking realmente útil é escolher os pares certos. Compare empresas que façam sentido: mesmo porte, mesma região, mesmo segmento.
Em setores específicos, como o polo petroquímico de Camaçari (BA), isso funciona muito bem. Já em nichos muito restritos (ou únicos), pode ser necessário olhar para outras regiões, como Manaus ou Porto Alegre. E um ponto importante: benchmarking não é uma tarefa exclusiva do RH.
Decisões de política interna precisam envolver lideranças, diretores e áreas estratégicas, para que a análise faça sentido no contexto do negócio, no orçamento e na forma como a empresa quer se posicionar.
ATENÇÃO: grupos de WhatsApp podem trazer risco
Em tempos de comunicação instantânea, grupos de WhatsApp se tornaram ferramentas populares para troca de ideias e networking entre profissionais. No entanto, quando o assunto é benchmarking, é preciso ter muito cuidado.
“O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já multou empresas porque a troca de informações salariais em grupos de WhatsApp foi configurada como cartel”, conta Maisa.
Ou seja: o perigo não está apenas no excesso de confiança — mas também na legalidade.
Antes de compartilhar algo, pergunte-se:
- Eu tenho autorização para isso?
- Meu diretor sabe que estou expondo esses dados?
- Se vazar, qual o impacto para a empresa?
A troca é bem-vinda, desde que seja de ideias — não de informações sensíveis.
#ficaadica: benchmarking é aprendizado — não cópia
Este é o ponto-chave deste conteúdo. Benchmarking é uma prática que funciona para outras empresas e pode funcionar para a sua também. Mas não é para copiar: é para aprender.
A análise crítica é o que transforma um dado em estratégia. Sem ele, o benchmarking vira só mais um número; com ele, vira vantagem competitiva.
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E se quiser saber mais sobre o tema, confira o 143º episódio do ConsultAqui!





