assine nossa newsletter

Transparência salarial: por que as empresas não divulgam os salários das vagas?

Você viu uma vaga interessante, se animou… e aí se deparou com a descrição “salário a combinar”. Quem nunca passou por isso, não é mesmo? A transparência salarial tem ganhado cada vez mais destaque no mundo do trabalho — e não é à toa. Em lugares como Nova York e Califórnia, por exemplo, já existem leis que obrigam as empresas a divulgarem as faixas salariais nas vagas. 

Mas por que isso ainda é tão raro aqui no Brasil?

Para entender melhor esse cenário, conversamos com João Resch, Gerente Executivo de Remuneração da Carreira Muller. Ele reflete por que muitas empresas ainda evitam divulgar salários, o impacto disso na redução de desigualdades, tendências internacionais e o que esperar para o Brasil.

Por que as empresas “escondem o jogo” quanto o assunto é salário?

Segundo João, um dos principais motivos é bem prático: falta de uma política estruturada de cargos. A maioria das empresas no Brasil ainda não tem uma tabela salarial formalizada. Muitas vezes, elas sequer sabem exatamente quanto pagarão para um cargo antes de iniciar o processo seletivo.

Ou seja: é comum que o salário seja definido durante o recrutamento, com base em pesquisas de mercado e considerando as pretensões dos candidatos que possuem os pré-requisitos desejados. 

“Durante as entrevistas, as empresas costumam perguntar qual é o salário atual do candidato e qual é sua pretensão salarial. Uns vão dizer R$ 8 mil, outros R$ 7 mil e R$ 9 mil. A partir disso, a empresa irá fazer a pesquisa decidir o valor”, conta João.

Ainda assim, mesmo empresas com uma política de cargos e salários bem estabelecida muitas vezes preferem não divulgar o salário. O motivo? Desalinhamento interno.

É comum que algumas pessoas dentro da empresa ganhem abaixo do mínimo ou acima do máximo previsto na tabela salarial. Se a empresa divulga que vai pagar entre R$ 5 mil e R$ 8 mil para um novo colaborador, mas alguém da casa que faz a mesma função ganha R$ 4 mil, os questionamentos aparecem”, diz João.

Isso mostra como a transparência externa começa, na verdade, dentro de casa. Antes de divulgar as faixas salariais, a empresa precisa ter todos os colaboradores alinhados. Então esse é o primeiro passo: acertar a situação para que a grande maioria dos colaboradores esteja dentro da estratégia salarial.

Qual é o problema em não divulgar os salários?

Bom, do ponto de vista das empresas, esconder o salário pode parecer estratégico — afinal, permite mais margem para negociação. Mas, do lado dos candidatos, a percepção é bem diferente.

“A falta de transparência transmite a ideia de que a empresa quer pagar o mínimo possível. Isso cria a impressão de um leilão, onde ganha quem aceita o menor salário”, comenta João.

Mesmo que não seja essa a intenção, essa prática pode minar a confiança dos candidatos e prejudicar a imagem da empresa.

Mas e se divulgar o salário espantar bons candidatos?

Esse é outro receio comum entre recrutadores. Quando a vaga envolve um perfil técnico ou altamente especializado, uma faixa salarial muito delimitada pode afastar talentos com expectativas acima do teto proposto.

Por isso, algumas empresas preferem manter o campo aberto para negociar caso encontrem “o candidato certo”. Mas isso também reforça a importância de ter critérios bem definidos e comunicação clara, para não parecer que tudo é feito no improviso.

Então como se preparar para ser mais transparente?

Para João, o caminho é um só: planejamento.

O primeiro passo é estruturar um plano de cargos e salários, que inclui pesquisas de mercado, definição de faixas salariais e criação de uma arquitetura organizacional. Isso permite que a empresa tenha critérios objetivos para determinar os valores de pagamentos em cada posição.

Depois, vem o alinhamento interno — ajustar o que for necessário e garantir que as faixas façam sentido para quem já está dentro da empresa. Foi assim, por exemplo, que a Carreira Muller decidiu divulgar suas tabelas salariais em 2019: primeiro reestruturamos tudo internamente, depois partimos para a comunicação.

Além disso, é importante lembrar que transparência salarial exige conversa. Antes de tornar as informações públicas, é fundamental explicar aos colaboradores os critérios, as decisões e os objetivos por trás da política salarial.

Essa é uma tendência global — e irreversível! —, impulsionada por legislações e pela própria pressão dos candidatos. Muitos países já obrigam as empresas a serem transparentes para combater a desigualdade salarial, principalmente entre gêneros e raças. Respostas genéricas, como “salário competitivo”, já não são suficientes.

“O remédio para a desigualdade é a transparência”, defende João. “O Brasil está um pouco atrasado, mas vai avançar. Vai depender das políticas públicas, da pressão social e dos próprios candidatos.”

E aí as empresas vão perder poder de negociação?

Não necessariamente. Profissionais experientes sabem o seu valor e, mesmo com a faixa divulgada, seguem negociando com base em suas competências. “Esses candidatos geralmente pedem 15% ou 20% a mais do que ganham hoje. Às vezes até mais, se estiverem muito satisfeitos. A informação não elimina a negociação, ela apenas a torna mais justa”, conclui João.

Com a disponibilidade de ferramentas de consulta salarial na internet, os profissionais passaram a ter mais autonomia nas negociações. Mesmo que esses dados não sejam tão precisos quanto as pesquisas salariais feitas pelas empresas, eles servem como uma referência. Isso eleva a exigência por mais clareza e coerência nas propostas e reduz o espaço para negociações desequilibradas. Ou seja, o acesso à informação empodera os candidatos.

Quer saber mais sobre o tema?

Então não perca o episódio 118 do ConsultAqui! E se sua empresa quer avançar na jornada da transparência, conte com a gente!

Compartilhe esta publicação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confira também outros artigos

Separamos mais algumas leituras relacionadas com a publicação acima para você se aprofundar ainda mais nos conteúdos de remuneração.

Escolha uma data

Demonstração – 03/06 às 10h00

Demonstração – 10/06 às 10h00

Demonstração – 17/06 – 10h00

Demonstração – 24/06 – 10h00

Acesso gratuito ao módulo Free da ConsultaSalarial®:

Declaro ter ciência e aceitar as condições para navegar no módulo gratuito oferecido pela Carreira Muller:

1 – Para solicitar o acesso é necessário que sejam enviados os dados requisitados no questionário de coleta. As informações recebidas serão analisadas, por parte da Carreira Muller, e o envio destas não acarretará uma liberação automática do acesso.

2 – O prazo de retorno com a confirmação ou declínio do acesso leva até 2 dias úteis.

3 – A forma de comunicação utilizada pela Carreira Muller para informar tudo o que é necessário se faz pelo endereço de e-mail informado no momento do preenchimento do formulário. Portanto, aceitando este termo você também concorda com o recebimento de nossos e-mails. Caso deseje parar de recebê-los há um mecanismo à disposição em cada e-mail disparado.

4 – Não há custo algum para que as empresas selecionadas usufruam desse módulo Free.

5 – Todo o acesso é configurado com base na Razão Social informada pelo solicitante no questionário de coleta. Portanto, se o solicitante deixar a empresa (CNPJ) base cadastrada, o acesso também é desativado.

6 – O informante dos dados se responsabiliza pela veracidade das informações disponibilizadas e pode, a qualquer momento, requisitar a baixa de seu cadastro com a consequente eliminação de todos os dados por ele informados.

7 – Todo o acesso é feito pela nossa plataforma online (www.carreira.com.br) por meio de um login e senha. O login será gerado com base no e-mail corporativo informado nos dados, considerando o tópico 1, e a senha será configurada, pelo próprio solicitante, no primeiro acesso.

8 – O solicitante declara reconhecer que a Carreira Muller é titular exclusiva dos direitos de propriedade intelectual de todo o conteúdo publicado na plataforma. Está ciente que não poderá modificar, transferir, sublicenciar, vender, ou de qualquer forma, colocar à disposição de terceiros, os materiais supra referidos, nem os serviços prestados pela Carreira Muller, a não ser que haja autorização prévia e formal da Carreira Muller, sob pena de responder pelos danos decorrentes dessa conduta.

9 – Considerando a modalidade de oferta desse serviço, a Carreira se resguarda no direito de modificar ou suspender total ou parcialmente tais serviços a qualquer momento, independentemente de notificação prévia.

10 – O solicitante autoriza, de forma expressa, o contato por meio do aplicativo WhatsApp, utilizando o número informado no momento do preenchimento do formulário. Esse contato poderá ser realizado para fins relacionados ao acesso ao módulo gratuito da plataforma ConsultaSalarial®, incluindo esclarecimentos, suporte e orientações sobre o uso da ferramenta.

Solicite seu Diagnóstico

Preencha os campos abaixo para solicitar seu diagnóstico

Fique tranquilo que seus dados estão seguros conforme nossa política de privacidade, frente a Lei de Proteção de dados.

Solicite uma demonstração

Preencha os campos abaixo para solicitar sua demonstração

Fique tranquilo que seus dados estão seguros conforme nossa política de privacidade, frente a Lei de Proteção de dados.

Fale com um consultor

Será um grande prazer retornar sua solicitação!

Acesse nossas plataformas

Acesse nossa área de cursos