futuro-do-trabalho, remuneracao

Seis questões sobre a Gig Economy para te ajudar a lidar com a tendência!

  1. A Gig Economy veio para ficar?

O termo inglês “gig” tem diversos significados, mas, em um contexto mais informal, é a gíria utilizada para se referir a algum tipo de “trabalho temporário “. Inicialmente mais utilizado no âmbito musical onde um “gig” se referia a uma apresentação de música, o termo se expandiu e hoje representa diversos tipos de trabalho freelancer ou independentes.

A Gig Economy é, portanto, uma economia alternativa onde os colaboradores exercem atividades de curto ou curtíssimo prazo, que podem ou não ser recorrentes. Um dos exemplos bastante populares são os “gig drivers” ou motoristas de aplicativos. Outras áreas bastante consolidadas no segmento são programação, design e conteúdos multimídia. Criação de sites, logotipos e tradução de materiais já são serviços oferecidos por colaboradores independentes há um bom tempo. O que tem ocorrido nos últimos anos é a mudança da ponta contratante e a abrangência do escopo dos projetos.

  1. Por que tem evoluído?

As empresas estão apostando cada vez mais na busca de talentos autônomos que possam contribuir com novas ideias, seja complementando seus times ou executando atividades de apoio para que o time possa focar no negócio central da empresa.

Um dos sites que funcionam na intermediação entre o profissional independente e a ponta contratante, o Workana, fez uma pesquisa e identificou que mais de 40% contrataram os serviços porque precisavam de um apoio externo qualificado para projetos específicos. O site cita casos de grandes empresas multinacionais que utilizam este tipo de serviço em busca de agilidade de soluções e ressalta que mais de 97% dos clientes estão convencidos que o trabalho freelancer só tende a crescer.

Levando em consideração os avanços que tivemos em direção ao trabalho remoto e home office nos últimos tempos, parece realmente que esta tendência veio para ficar. Além disso, o boom das plataformas digitais de intermediação, a mudança do perfil e expectativas dos profissionais das novas gerações, a implantação de modelos de trabalho ágeis e colaborativos e a regulamentação do trabalhador intermitente pela Nova CLT, também têm contribuído para a evolução deste tipo de contrato de trabalho.

  1. Quais as vantagens para o colaborador?

Flexibilidade de horário – Trabalhando de casa, do carro, ou de onde achar mais adequado, o colaborador tem maior flexibilidade de horários e pode organizar seu dia da forma que melhor se adequa a sua rotina e aos seus demais compromissos profissionais ou não.

Flexibilidade de escopo – o modelo “gig” possibilita que o colaborador atue em diferentes segmentos, ambientes e modelos de negócios, agregando diferentes experiências e possibilitando a formação de um profissional com visão bastante abrangente.

Desenvolvimento profissional – seguindo esta mesma linha, temos conversado bastante sobre o perfil do profissional do futuro e a experiência como gig worker pode desenvolver muito o perfil empreendedor e possibilitar a vivência em ambientes colaborativos.

Mais oportunidades – especialmente em períodos de crise, quando existe uma queda na oferta de trabalhos formais, o trabalho freelance funciona como uma alternativa de renda. Além disso, por sua característica remota, possibilita acesso a um número muito maior de oportunidades.

Sem limitação geográfica – no contexto gig remoto, os candidatos para uma vaga não são apenas locais. A empresa pode selecionar profissionais com a qualificação e experiência necessárias em qualquer lugar do mundo. Principalmente no segmento de tecnologia este cenário já é bastante consolidado e existem muitos colaboradores brasileiros trabalhando remotamente para multinacionais sediadas pelo mundo.

  1. Quais as oportunidades para as empresas?

Agilidade e otimização de tempo – ao invés de passar por um longo processo de recrutamento e seleção, especialmente em projetos temporários, o processo de contratação de um freelancer qualificado pode ser muito mais rápido.

Mais e mais empresas estão utilizando conceitos Agile em seus projetos e esta metodologia está bem alinhada com o conceito do colaborador independente.

Novas ideias – contar com a expertise de alguém de fora, que possa trazer novas perspectivas e soluções pode contribuir muito para projetos corporativos. O desafio, neste caso, é alinhar a cultura organizacional para receber este novo tipo de contribuição.

Custos – Outra oportunidade para as empresas é a possibilidade de remunerar por produtividade/entrega. Conforme previsto na Nova CLT, o pagamento do trabalhador intermitente deverá ser efetuado no momento da entrega do serviço. Em se tratando de um profissional CLT, baixa produtividade pode muitas vezes impactar a remuneração variável do colaborador, porém, a empresa sempre incorrerá com a remuneração fixa.

  1. Há amparo legal?

Diferentes segmentos da gig economy tem enfrentado diferentes desafios. A velocidade que as relações de trabalho e prestação de serviços estão evoluindo têm sido, em alguns casos, maiores que as adequações na legislação, o que tem causado debates em diferentes segmentos.

No caso dos motoristas por aplicativo, apesar do serviço de transporte individual privado ter se iniciado em 2014 no Brasil, apenas em 2018 foi devidamente regulamentado pela Lei nº 13.640 após um longo período de disputas entre diferentes partes envolvidas.

No que diz respeito aos freelancers de outras áreas, apesar da formalização do trabalhador intermitente pela Nova CLT (Artigo 452-A), ainda existe um alto grau de informalidade no setor. O colaborador, muitas vezes, não conhece seus direitos e, por precisar do trabalho, aceita condições nada ideais de contratação, sem carteira assinada e direitos como 13º e férias proporcionais.

A formalização do trabalho intermitente não só assegurou ao colaborador melhores condições de contratação, mas também abriu portas para as empresas utilizarem este tipo de contrato de forma regulamentada. Assim como existem programas de estágio e trainees para estudantes e recém formados, já existem programas formais de freelancers, que são contratados de forma temporária para atuar na criação de novos sistemas, aplicativos ou projetos. Além disso, a popularização do formato de trabalho por projetos também tem incentivado muito a contratação de gig workers, principalmente através das plataformas de intermediação.

  1. Quais os impactos na remuneração e no time?

Outro grande desafio deste novo formato de trabalho é o impacto que a contratação deste profissional temporário pode trazer para o restante do time, tanto no quesito de remuneração, como na dinâmica do grupo.

Em um contexto corporativo, onde os colaboradores recebem salários fixos mensais, a inserção de um colaborador especializado – que ganha por projeto – pode causar dúvidas e desconfortos e precisa ser avaliado com bastante cuidado para não impactar a motivação do time.

Antes de partir para este modelo, é essencial avaliar as competências já existentes dentro da empresa e então mensurar os prós e contras de treinar seus funcionários x contratar mão de obra externa.

Quanto mais transparente for esta análise, mais fácil será integrar este colaborador. Ou seja, para minimizar os impactos é preciso estar clara a necessidade da contratação e seus possíveis benefícios.

Neste contexto, muito se discute sobre a efetividade da remuneração por meritocracia individual, que tende a resultar em um ambiente mais competitivo do que colaborativo.

A cultura gig está embasada no conceito de colaboração e com isso, a remuneração baseada no resultado do grupo faz muito mais sentido. O objetivo é criar times onde se compartilham habilidades e conhecimento em prol de um bem comum. O formato como estes profissionais são remunerados impacta diretamente nesta dinâmica.

O crescimento exponencial da gig economy tem trazido e continuará trazendo muitas mudanças no ambiente profissional. Como qualquer mudança, esta nova realidade requer um estudo cuidadoso levando em consideração a cultura organizacional e os planos de carreira dos colaboradores fixos.

Gosta de pensar nas novas tendências de mercado e nas mudanças das relações de trabalho? Temos uma série especial de podcasts sobre o #futurodotrabalho, veja:

#021 – Competências digitais para o mundo pós-pandemia

#023 – 9 Habilidades sociais para aprender (e ensinar) agora – feat. Robinson Carreira

Além desses episódios, confira também este bate-papo com Antônio Linhares, Gerente Global de Remuneração e Performance da Vale. Nós falamos sobre o profissional de RH do futuro!

Gostou? Conta pra gente o que você achou do conteúdo, aqui embaixo, nos comentários!

Débora Morilha
Consultora de Remuneração 

Deixe um comentário

Seu e-mail não será exibido. Os campos marcados com * são obrigatórios.

Fazer um comentário *

Nome *

E-mail *

Site