Liderança feminina: um processo ainda não “natural” - Carreira Muller
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Liderança feminina: um processo ainda não “natural”

Olhe para o lado: quantas mulheres trabalham na sua empresa? Você percebeu um aumento ou queda nos últimos anos? Quantas delas ocupam cargos de coordenação, gerência, diretoria? 

Agora olhe para a folha de pagamento: os salários das mulheres são iguais aos dos homens considerando o mesmo nível hierárquico? Não precisa responder, é apenas para refletir. 

Quando olhamos para décadas passadas, vemos o quanto as mulheres são cada vez mais protagonistas na sociedade atual. Assumiram novos papéis para além de mãe, esposa e dona de casa: ocupam hoje os mais diversos postos no mercado de trabalho e estão em cargos de liderança.

São resultados satisfatórios de uma longa evolução na busca pela equidade de gênero. Uma jornada que merece comemoração, sim, mas que está longe de chegar ao fim. Pelo contrário: a paridade entre os gêneros vai demorar ainda mais.

Umas décadas a mais na conta…

De acordo com o Fórum Económico Mundial (FEM), seriam necessários 99,5 anos (a partir de 2019) para equalizar a participação de homens e mulheres na economia, na política, na saúde e na educação. No entanto, a pandemia acrescentou mais algumas décadas a esse montante.

Agora, são necessários 135,6 anos até alcançarmos, mundialmente, a igualdade e colocar fim ao fosso que separa homens e mulheres. O retrocesso está ligado à menor representação política das mulheres nas grandes economias, à concentração de mulheres nas indústrias mais afetadas pelas restrições, ao encerramento de escolas e creches e ao estancamento dos avanços econômicos.

Quando o assunto é mercado de trabalho, o indicador fica ainda pior: a paridade econômica entre gêneros será encontrada, se continuar nesse ritmo, somente daqui 267,6 anos. Entre os motivos que justificam, estão:

  • Baixa proporção de mulheres em cargos gerenciais;
  • Congelamento dos salários das mulheres;
  • Baixa participação na força de trabalho e na renda.

Houve avanços em direção à paridade nas últimas décadas, há cada vez mais mulheres em trabalhos qualificados, mas a verdade é que as disparidades persistem e ainda há pouquíssimas mulheres em cargos de liderança. Segundo a Bequal, há um “degrau quebrado” entre a coordenação e a gerência/direção.

O “degrau quebrado” da liderança

A Bequal é um hub que atua no desenvolvimento e aceleração de mulheres rumo a posições executivas. Segundo a CEO da empresa, Thais Cassano de Castro, há um “degrau quebrado” na ascensão de mulheres para posições de liderança. “Somos 46% mulheres em cargos de coordenação e despencamos para 14% nas gerências e diretorias”.

Isso significa que a ascensão para cargos de coordenação já faz parte de um “processo natural” nas empresas brasileiras, o que é positivo, mas ainda há muitos obstáculos para a continuidade do crescimento. Um deles é a ausência de uma cultura organizacional que incentive a mulher a ser líder com atributos de mulher — e não com habilidades e competências predominantemente masculinas, como o que geralmente é exigido.

Outro ponto é o fato de que essa ascensão muitas vezes coincide com o período de gestação ou maternidade. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que 50% das mulheres são demitidas após, aproximadamente, dois anos da licença-maternidade.

E há ainda outras questões mais subjetivas e até mesmo o fato da mulher não se enxergar preparada para assumir cadeiras de nível hierárquico superior. É a chamada “síndrome da impostora”. São situações que Thais presencia diariamente em suas mentorias para desenvolver e acelerar a carreira de mulheres a posições executivas.

Fica um convite para reflexão!

Thais foi a convidada da 83ª edição do Quinto Dia Útil, podcast da Carreira Muller. Com longa carreira no mundo corporativo, experiência internacional e mãe de gêmeas, ela conta um pouco da sua trajetória pessoal e profissional. 

Na conversa com outras mulheres da Carreira Muller, traz cases, fala sobre liderança feminina, equidade de gênero, de como as mulheres podem se preparar para a saída e o retorno da licença-maternidade e de como é preciso “se tornar desnecessária na execução para ser necessária na organização”.

É um convite para a reflexão.  A paridade de gênero ainda está distante, mas são os homens e as mulheres atuantes nas empresas que podem tornar esse processo o mais “natural” possível. Essa é só uma amostra do que está por vir: um estudo Carreira Muller sobre o tema! Aguardem!

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