Como justificar reajuste escalonado, sobreposição e adicionais legais?

Por mais que reajustes salariais sejam sempre bem-vindos, colocá-los em prática nem sempre é tarefa fácil. Uma pesquisa salarial de qualidade ajuda o gestor de Remuneração com referências sobre os valores praticados no mercado e dá confiança quanto ao melhor caminho a seguir. 

Mas há alguns casos que merecem atenção especial: quando há reajuste escalonado, sobreposição na tabela e adicionais legais como a periculosidade (que nem entra na pesquisa salarial). Neste conteúdo, vamos falar sobre cada um deles e trazer as principais dúvidas. Confira!

Reajuste escalonado 

Reajuste escalonado é quando há aumento salarial de forma progressiva. É geralmente usado quando um colaborador assume um novo cargo e o porcentual de reajuste fica muito além do máximo estabelecido pela política interna da empresa.

Como exemplo, vamos citar o caso de Renata, que é analista júnior. Durante o último mês, ela participou de um processo seletivo – interno e externo – para uma posição de coordenadora, sendo selecionada. A nova posição vem com um aumento de 75% em relação ao seu salário atual. Só que a política da empresa estipulava um limite de até 25% de reajuste dentro da sua trilha.

Para que Renata receba o aumento e o gestor de Remuneração mantenha a política da empresa operante, é feito, então, um reajuste escalonado. Ou seja, ela receberá o acréscimo em etapas: 25% no primeiro mês, mais 25% no terceiro mês e o restante no quinto mês.  Parece uma ótima solução, mas Renata acaba questionando a proposta. Afinal, se um candidato externo tivesse assumido o posto, o valor não seria integral desde o primeiro mês? 

Quando acontece uma promoção com uma diferença muito superior ao salário – como é o caso da Renata –, podemos dizer que é uma situação excepcional. A empresa está apostando em um colaborador que ainda não está plenamente pronto para ocupar a função e antecipa muitas etapas na sua trilha de carreira (certamente o colaborador teria que passar pelos cargos de pleno e sênior).

Uma boa justificativa é que o reajuste escalonado vem, então, como uma contraproposta por esse “voto de confiança”. Para saber mais sobre o assunto, confira o episódio 10 do ConsultAqui!

Sobreposição na tabela

Uma pesquisa salarial de qualidade dá subsídio para os gestores de Remuneração, já que é possível desenvolver tabelas salariais muito mais conectadas às práticas de mercado. Mas não podemos negar que há situações em que o próprio mercado não traz diferenças muito lineares entre as posições – quando o reajuste do pleno para o sênior, por exemplo, não é tão significativo quanto do júnior para o pleno.

Outra situação é quando o colaborador não se enquadra na tabela por conta dos reajustes previstos pelos acordos coletivos, o que é bastante comum em períodos de inflação alta. E aí, quando esse colaborador é promovido, a diferença salarial praticamente já foi concedida por conta dos reajustes anuais. 

A recomendação para esses casos é usar recursos de estatística. A regressão linear, por exemplo, ajuda a garantir o equilíbrio interno entre as vagas e suaviza as distorções que podem causar sobreposição de tabela. O episódio 17 do ConsulAqui trouxe um exemplo prático de como isso pode ser feito e no curso de Cargos e Salários há um módulo inteiro sobre estatística em remuneração que ajudam (e muito!) na rotina.

Adicionais legais

A periculosidade é uma das dúvidas mais recorrentes em Remuneração, já que esse adicional legal de 30% sobre o salário é bastante significativo para as empresas. Por que a periculosidade não entra nos valores de uma pesquisa salarial para o comparativo com o mercado?

A explicação é simples. A periculosidade não consta em uma pesquisa salarial porque, segundo a lei trabalhista, o direito do empregado ao adicional cessa com a eliminação do risco à saúde ou à integridade física. É uma condição que pode deixar de ser paga a qualquer momento.

Imagine a seguinte situação: uma empresa contrata dois técnicos de manutenção. Um trabalha na área mecânica e outro com elétrica. Os depois recebem o mesmo salário porque possuem o mesmo cargo, porém o segundo está exposto a um risco diário, que resulta no adicional de periculosidade. 

Isso quer dizer que eles ganham diferentes? Não! A diferença está nas condições de trabalho de cada um. Não é algo que está na estratégia da empresa, é o cumprimento de uma disposição legal e, por isso, não deve ser considerado na pesquisa salarial.

Gostou do conteúdo? Todas as semanas a Carreira Muller divulga informações sobre os temas mais comentados na área de Remuneração. Acesse nosso canal no youtube e deixe sua dúvida! 

4 respostas

  1. Boa Noite!!! Em casos onde o empregado seja promovido, e o salário seja escalonado, após o periodo de escalonamento é direito do empregado receber retroativo desses meses onde o salário ainda não estava completo?

  2. Olá, boa tarde!

    Quando o colaborador deve receber o salário escalonado após 6 meses como exemplo abaixo, mas teve dissídio neste intervalo, o novo salário deve ser aplicado o % que ficou pendente em relação ao salário com dissídio ou deve utilizar o valor bruto, por mais que o dissídio tenha comido um & desse aumento previsto?

    Negociado R$5.500 Pago + Dissidio R$5.171
    Pago R$5.000 Pago + Dissidio + Variação R$5.636

    Var (%) -9% Var (%) 9%

    Negociado R$5.500 Pago + Dissidio R$5.171
    Pago R$5.000 Negociado R$5.500

    Var (%) -9% Var (%) 6%

  3. Olá. Lucas! Obrigado pela pergunta!

    Entendemos que o novo salário deve utilizar o valor bruto, por mais que o dissídio tenha elevado o salário da pessoa e tirado algum percentual do aumento.
    O foco do aumento escalonado não deveria estar no percentual de reajuste no primeiro momento, e sim no valor de salário da nova posição. Ou seja, se a nova posição tiver um salário de R$ 6.000, o primeiro aumento do escalonamento acontecerá, seguido da aplicação do dissídio e depois a segunda parte do escalonamento para chegar nos mesmos R$ 6.000.
    É importante fixar o salário do próximo cargo, para que o cargo continue alinhado ao mercado e a pessoa não receba aumento de percentuais fixos e ultrapasse o valor do cargo.

    Se você ainda ficou com alguma dúvida, nosso consultor Victor, que redigiu essa resposta, pode te ajudar pelo e-mail victor.ribeiro@carreira.com.br

    Até mais!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Carreira Muller

Somos uma consultoria especialista em gestão de remuneração que, há a quase 3 décadas, trabalha para desenvolver pessoas e negócios.

Acompanhe-nos

Confira também outros artigos

Separamos mais algumas leituras relacionadas com a publicação acima para você
se aprofundar ainda mais nos conteúdos de remuneração.

Solicite seu Diagnóstico

Preencha os campos abaixo para solicitar seu diagnóstico

Fique tranquilo que seus dados estão seguros conforme nossa política de privacidade, frente a Lei de Proteção de dados.

Solicite uma demonstração

Preencha os campos abaixo para solicitar sua demonstração

Fique tranquilo que seus dados estão seguros conforme nossa política de privacidade, frente a Lei de Proteção de dados.

Fale com um consultor

Será um grande prazer retornar sua solicitação!

Fique tranquilo que seus dados estão seguros conforme nossa política de privacidade, frente a Lei de Proteção de dados.

ConsultaSalarial®

SalaryMark®

Acesse nossas plataformas

Acesse nossa área de cursos

Acesse agora o Astrobee