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4 tópicos que vão te explicar melhor a relação crise x salários

Todos os anos, atualizamos a base do ConsultaSalarial® para refletir as práticas atuais do mercado. Tais dados são uma fotografia dos salários pagos no momento, conceito que chamamos de Market Pricing. Nós acreditamos que, justamente em momentos como o que vivemos agora, de crise, as empresas precisam se manter conectadas com o que acontece no mercado para ter a melhor leitura do cenário e tomar decisões mais certeiras.

Sabemos que, em situações críticas, surgem muitas dúvidas sobre como ler esses dados de mercado. Afinal, a crise afeta os salários?

Para responder esta questão, trouxemos quatro tópicos que vão te ajudar a entender os movimentos da economia e da remuneração:

DESEMPREGO

Os impactos da atual crise na taxa de desemprego tendem a ser realmente significativos. Algumas fontes preveem aumento de mais de 15 pontos percentuais, porém, a maioria concorda que ainda é cedo para qualquer previsão acertada. O que sabemos é que muitas pessoas estão, infelizmente, perdendo os seus trabalhos e a massa desempregada está tendo dificuldade de se recolocar.

No que diz respeito à remuneração, o impacto mais direto do aumento do desemprego ocorre na contratação de novos colaboradores. Isso porque, ao longo da crise, os dois lados da equação (oferta x demanda) são afetados. Existe maior oferta de mão de obra (ou seja, mais profissionais disponíveis no mercado buscando uma recolocação) e, por outro lado, menor demanda (menos empresas abrindo posições de trabalho).

O resultado deste desequilíbrio é a queda dos salários. Os salários que serão impactados num primeiro momento são, portanto, o dos novos colaboradores e este movimento deve ser percebido principalmente pelos profissionais de Recrutamento e Seleção (R&S).

MASSA EMPREGADA

No que diz respeito à grande massa empregada, que contempla a base da ConsultaSalarial®, os impactos não são imediatos. Usemos um exemplo hipotético:  Ricardo trabalha em uma indústria automobilística como Analista Junior de RH e recebe R$3.000. O aumento do desemprego causado pela crise não terá impacto em seu salário. Ele continuará recebendo os mesmos R$3.000 até que ele seja promovido, faça uma movimentação de cargo ou até que a empresa aplique um acordo coletivo.

O que poderá impactar a remuneração do Ricardo, por conta do cenário econômico é, por exemplo, uma postergação de promoção, cancelamento do pagamento de um mérito, diminuição ou cancelamento de incentivos de curto ou longo prazo etc. Mas, assim como o Ricardo, todos os demais profissionais que fazem parte da base da ConsultaSalarial®, manterão seus salários.

NOVOS COLABORADORES

Imagine que a Marilia, uma excelente profissional, recebia R$3.000, mas foi desligada e está agora buscando uma nova posição como Analista Junior de RH. Durante seu próximo processo seletivo, quando ela for questionada quanto a sua pretensão salarial, sabendo da situação do mercado e estando desempregada, ela possivelmente mencionará um valor abaixo de R$3.000.

Assim como a Marilia, muitos outros profissionais farão o mesmo, e as empresas começarão, aos poucos, a oferecer valores iniciais inferiores para aquela posição.

Este movimento, com o tempo, passará a ter impacto na pesquisa salarial. Porém, este processo é lento, pois contempla apenas os profissionais que estão fazendo movimentos individuais ou sendo recolocados.

VARIAÇÕES SALARIAIS POR SEGMENTO E CARGO

Vale ressaltar que os impactos da crise econômica não são os mesmos para todas as posições e segmentos. Alguns setores continuam aquecidos e alguns cargos continuam tendo alta demanda pelas empresas e pouca oferta de profissionais. Isso pode, novamente, ser identificado pelos times de recrutamento e ocorre a todo momento, independentemente do cenário de crise.

Alguns de nossos materiais recentes também tratam sobre assuntos relacionados. O podcast e o webinar do estudo de Indicadores trazem insights sobre o impacto não apenas desta, mas das crises em geral na remuneração, englobando outros aspectos como a evolução da inflação e dos salários ao longo do tempo.

Debora Morilha e João Resch
ConsultaSalarial®