Pensadores da sociedade – Os degraus de Maslow

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Muitos são os pensadores e estudiosos que se esforçam para entender os comportamentos humanos. Com os psicólogos Abraham Maslow e Frederick Herzberg não foi diferente.

Nos próximos posts, vamos desdobrar essas duas vertentes de pensamento e estuda-las sob a ótica do profissional de remuneração.

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Os degraus de Maslow  

Maslow nasceu em tempos difíceis. Os Estados Unidos ainda se recompunham dos estragos financeiros causados pela Guerra Civil Americana (ou Guerra da Secessão) e, assim como muitos da época, a família do garoto era muito humilde e passava por grandes dificuldades.

Talvez esse tenha sido o principal motivo que fez com que Maslow se dedicasse a entender a relação do homem em seu meio social e as condições necessárias para que cada ser humano atingisse diferentes níveis de satisfação.

 

Segundo o psicólogo, todos nós vivemos para satisfazer nossas necessidades, primeiro as básicas e depois as mais complexas. Para exemplificar isso, Maslow criou um esquema que hierarquiza essas necessidades em forma de pirâmide, como mostra a imagem ao lado.

 

Algumas condições devem ser levadas em conta, ao analisar o estudo de Maslow:

  1. Uma etapa deve ser saciada (pelo menos em parte) para que o indivíduo passe para o próximo nível da hierarquia;
  2. As necessidades da autorrealização nunca são saciadas, sempre que um desejo se sacia, surgem novas ânsias e objetivos. O ser humano “desejante” é muito bem explicado por Platão;
  3. As necessidades fisiológicas nascem com os seres humanos e são as mais fáceis de serem saciadas, ao contrário das outras etapas;
  4. Quando conquista determinados elementos de um grupo de necessidades, o indivíduo se sente motivado a atingir mais objetivos;
  5. As necessidades insatisfeitas, ou seja, que não conseguirem ser cumpridas, implicam reações negativas no comportamento do indivíduo, como frustrações, medos, angústias, inseguranças e etc.

Quando todas as necessidades estiverem completamente satisfeitas, ou minimamente atendidas, abre-se espaço para a autorrealização, que é um aspecto de felicidade do indivíduo. Ou seja, como somos seres desejantes, vivemos pequenos instantes de felicidade que, assim como chegam, se vão e, nesse momento, nasce o novo desejo de se alcançar esse instante novamente. Nesse ciclo, constrói-se a autorrealização.

 

Tudo é recompensa!

A imagem abaixo identifica diversos setores da nossa vida dentro e fora do trabalho, que são influenciadas pelos estágios das necessidades de Maslow:

 

Já sabemos que, para Maslow, as discussões relacionadas à autorrealização só podem acontecer quando todas as necessidades anteriores foram completamente atendidas.

Mas então, como esse processo acontece no caso de pessoas que resolvem ignorar o meio em que estão (carentes de necessidades fisiológicas, de segurança e sociais) para se arriscarem em prol de um sentido maior? Como um médico que se inscreve em um programa voluntário na Síria, por exemplo?

Viktor Frankl era judeu e viveu três anos preso em um campo de concentração. Durante o confinamento, roubava papéis de um escritório nazista para escrever rascunhos de seus estudos. De onde será que Frankl tirava forças para correr atrás de um sonho, num ambiente em que todas as suas necessidades básicas não eram supridas?

Ernest Shackleton precisava recrutar uma tripulação para uma expedição ousada rumo ao Ártico, em 1912. O capitão foi bem honesto em seu anúncio veiculado num jornal da época: “Procura-se homens para trabalho perigoso. Salários baixos, frio rigoroso, longos meses de completa escuridão, perigo constante e retorno duvidoso”. Pouco tempo depois, 28 homens toparam a missão e acompanharam Shackleton. O que motivou essas pessoas a abandonarem tudo o que tinham, para assumir uma viagem que poderia lhes tirar a vida?

Quando refletimos sobre a vida dessas pessoas, toda a teoria de Maslow fica em xeque.

Nós podemos transpor qualquer degrau da pirâmide quando o sentido é forte, quando o que fazemos significa tanto para nós, que não há dinheiro que compre nossa ideia e não há sofrimento que mude nossas escolhas.

Foi exatamente assim que as pessoas dos exemplos acima aceitaram os desafios e viveram por algo relevante.

 

A essa altura, você já deve estar achando que, até agora, esse texto foi um tiro no pé. Basta construirmos sentidos fortes e então, não precisaremos mais que o RH cuide da remuneração, não é mesmo? Errado!

Todos os exemplos que citamos envolvem uma recompensa. A gratificação dos médicos é ajudar as pessoas; para Viktor Frankl, sair do campo de concentração e escrever seus estudos sobre o comportamento humano, eram as melhores retribuições que ele poderia receber. A tripulação de Shackleton queria honra e buscava saciar sua curiosidade pelas terras inexploradas do Ártico. Todos tinham um porquê.

Aí está o segredo: a matéria-prima do profissional de remuneração deve ser, justamente, o sentido. Todos os “porquês” da empresa passam pelo RH, porque é ali que as recompensas são negociadas e administradas.

As pessoas podem até escolher essa ou determinada empresa por necessidade, mas elas só permanecem por afinidade de sentidos.

Clique aqui e confira o texto sobre as motivações de Herzberg, nosso segundo post do especial “Pensadores da Sociedade”

 

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