A empresa, os sindicatos e a folha de pagamento de 2014

Felicidade no trabalho: mais do que uma questão salarial
30/10/2013
Contratações mais demoradas e mais exigentes
06/11/2013

No segundo semestre, especialmente nos meses de setembro e outubro, é quando acontece o maior número de acordos coletivos e convenções de trabalho. É um período árduo para os administradores de recursos humanos, diretores e gerentes que assumem as negociações com as categorias e procuram conciliar os interesses dos sindicatos e da empresa. O fato é que o que será decidido agora vai impactar as organizações em todo o ano de 2014. Por isso, é bom ter atenção às concessões e equilibrar bem a balança para não sair no prejuízo.

Fazendo uma análise dos últimos anos, é possível perceber que a percentagem média de reajuste de salário tem ficado um pouco acima da inflação. Em um país geograficamente grande e com centenas de categorias econômicas e profissionais, falar em percentuais médios pode parecer sem sentido. No entanto, é possível realizar um diagnóstico simples para tentar vislumbrar como esses acordos podem impactar a receita das empresas no próximo ano.

Nos últimos três anos, 2010, 2011 e 2012, a média da inflação ficou em 6,2%. Por outro lado, a média dos percentuais de aumento coletivo definidas nos acordos foi de 8% no mesmo período. Em 2010 foi de 8,0%, em 2011 de 8,2% e em 2012 de 7,9%, o que, de modo geral, representou um reajuste de 1,5% acima da inflação. Em 2012, os maiores percentuais de aumento coletivo foram negociados em Curitiba, com média de 8,16%; e São Paulo, tanto na capital quanto no interior, com 7,95% e 7,69%, respectivamente.

Esse cenário, no entanto, não pode ser considerado um indicativo de que, efetivamente, os salários subiram 1,5% acima da inflação, pois existem fatores que contribuem para o crescimento ou não da massa salarial. Um deles é que na última negociação, 55% das empresas limitaram-se ao emprego efetivo do texto do acordo coletivo, aplicando o percentual negociado apenas até os salários de R$ 6,2 mil, em média, destinando aos superiores somente uma parte disso.

Outro fator determinante é que as contratações que acontecem após esse aumento coletivo são realizadas em faixas salariais iniciais, respeitando o piso da categoria, mas sempre utilizando o turnover de pessoal em favor da queda da média salarial interna. Considerando esses fatores e também a média de reajuste dos últimos três anos, a média esperada para 2014 deve ser de aproximadamente 8,03%.

Embora o PIB esteja pequeno, a economia em crescimento lento e a taxa cambial desfavorável, os acordos coletivos desse ano ainda não refletirão essa situação, sofrendo redução. Pelos números já analisados, a parcela de aumento real será mantida e o percentual final será ligeiramente superior ao do ano anterior, motivado pela inflação mais alta. Diante disso, os negociadores terão de ter muita habilidade e informações para garantir um acordo justo para ambas as partes.

Robinson Carreira (Diretor Presidente da Carreira Muller)

 

Texto originalmente publicado no site www.investimentosenoticias.com.br, dia 31 de outubro de 2013.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *



Assine a nossa newsletter

X